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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Resolvido o mistério da estrela pulsante



Ao descobrir a primeira estrela dupla onde uma Cefeide variável pulsante e outra estrela passam em frente uma da outra, uma equipa internacional de astrónomos desvendou um mistério de décadas. O alinhamento raro das órbitas no sistema estelar duplo permitiu fazer uma medição da massa da Cefeide com uma precisão sem precedentes. Os resultados da equipa liderada por Grzegorz Pietrzyński (Universidad de Concepción, Chile, Obserwatorium Astronomiczne Uniwersytetu Warszawskiego, Polónia) foram, recentemente, publicados na revista «Nature».


Até agora, os cientistas dispunham de duas previsões teóricas incompatíveis para a massa das Cefeides. O novo resultado mostra que a predição vinda da teoria da pulsação estelar está correcta, enquanto a feita a partir da teoria de evolução estelar não está de acordo com as novas observações.
Grzegorz Pietrzyński explica que utilizando o instrumento HARPS, no Chile, juntamente com outros telescópios, mediram “a massa de uma Cefeide com uma precisão muito maior do que qualquer estimativa anterior”. Este novo resultado permite “dizer qual das duas teorias em competição utilizadas para prever a massas está correcta.”

As estrelas variáveis clássicas deste género (Cefeides) são instáveis, muito maiores e mais brilhantes do que o Sol. Expandem-se e contraem-se de forma regular, levando entre alguns dias até meses para completar o ciclo. Esta relação tão extraordinariamente precisa torna o estudo num dos métodos mais eficazes na medição de distâncias a galáxias próximas e a partir daí no mapeamento da escala de todo o Universo.

Apesar da sua importância, ainda não são completamente compreendidas. As predições das massas que derivam da teoria das estrelas pulsantes são 20-30 por cento menores que as feitas utilizando a teoria de evolução estelar. Esta discrepância é conhecida desde os anos 1960.

Para resolver este mistério, os astrónomos precisavam de encontrar uma estrela dupla que contivesse uma Cefeide e cuja órbita estivesse directamente voltada para a Terra. Nestes casos, conhecidos como binários de eclipse, o brilho das duas estrelas diminui quando uma das componentes passa em frente da outra, e também quando passa por trás da outra estrela. Mas, não são fenómenos comuns, por isso a hipótese de encontrar tal par parecia muito pequena – não se conhecem nenhuns na Via Láctea.

 MartinWolfgang Gieren, outro membro da equipa, continua: “Recentemente, encontrámos efectivamente o sistema de estrela dupla pelo qual ansiávamos entre as estrelas da Grande Nuvem de Magalhães. Este contém uma estrela variável Cefeide que pulsa cada 3,8 dias. A outra é ligeiramente maior e mais fria, e as duas orbitam em torno uma da outra em 310 dias. A verdadeira natureza de binários deste objecto foi imediatamente confirmada assim que o observámos com o espectrógrafo HARPS em La Silla.”

Estimativa da massa

Os observadores mediram cuidadosamente as variações de brilho deste objecto raro, conhecido como OGLE-LMC-CEP0227, à medida que as duas estrelas orbitavam e passavam em frente uma da outra. Utilizaram igualmente o HARPS e outros espectrógrafos para medir os movimentos das estrelas em direcção à Terra e também a afastarem-se desta – tanto o movimento orbital das duas estrelas como o movimento de ida-e-volta da sua superfície à medida que se expande e contrai.
A partir deste conjunto de dados, os astrónomos determinaram o movimento orbital, os tamanhos e as massas das duas estrelas com enorme precisão – muito superior ao que tinha sido medido anteriormente. A massa é agora conhecida a menos de um por cento e está completamente de acordo com as predições feitas a partir da teoria das pulsações estelares. Em contraste, a maior massa prevista pela teoria de evolução estelar encontra-se errada de modo bastante significativo.

A estimativa muito melhor da massa é apenas um resultado deste trabalho, e a equipa espera encontrar outros exemplos destes pares de estrelas bastante úteis de modo a explorar melhor este método e que a partir destes sistemas binários irá eventualmente conseguir determinar a distância à Grande Nuvem de Magalhães a menos de um por cento – o que significaria uma melhoria considerável da escala de distância cósmica

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

32 novos planetas



Veja este filme


A descoberta de 32 novos planetas extra-solares foi hoje anunciada por uma equipa internacional de investigadores, da qual faz parte o português Nuno Cardoso Santos do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP).

O anúncio foi feito no âmbito de um colóquio/apresentação na qual participaram vários jornalistas internacionais por vídeo-conferência - realizado no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garret, no Porto - que começou hoje e termina quinta-feira.
Nuno Cardoso Santos, que é também professor afiliado da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, disse que se trata "da descoberta de 32 novos planetas extra-solares a orbitar outras estrelas" e que com esta inovação ultrapassou-se "a barreira dos 400 planetas" identificados.
Esta descoberta aconteceu no âmbito do projecto HARPS, um "instrumento único com um espectrógrafo de alta precisão construído para procurar planetas semelhantes à Terra", que está instalado num telescópio da ESO - Observatório Europeu do Sul - em La Silla, Chile.
O investigador português explicou, em linguagem simples, a técnica utilizada pelo HARPS nesta procura, salientando que "não é só o planeta que orbita a estrela mas a estrela também orbita o planeta" e que por isso a estrela "vai oscilar no céu, umas vezes afastando-se de nós, outras aproxima-se".
"A velocidade da estrela vai variar periodicamente se ela tiver um planeta à sua volta", concluiu Nuno Cardoso Santos que aclarou que é através da medição dessa mesma velocidade que se pode detectar novos planetas.
"Estamos a dar passos muito importantes na participação num consórcio que vai construir um novo instrumento - Espresso - o que significa um salto qualitativo e vai permitir descobrir outros planetas habitáveis, parecidos com a terra, a orbitar estrelas parecidas com o nosso sol", sustentou o investigador português, doutorado em Astronomia e Astrofísica, que avançou com 2014 como a data em que este novo projecto estará pronto.



Stéphane Udry, do Observatório de Genebra, disse hoje estar convencido que "que há vida noutros planetas" e que uma boa aproximação à confirmação desta teoria seria "encontrar vestígios de vida na atmosfera dos planetas detectados".



Para isso - acrescentou - são necessários "enormes telescópios, provavelmente no espaço", sendo este um processo que "demorará pelo menos 20 anos, para ter o projecto aceite, conseguir o dinheiro, construir e mandar os telescópios para o espaço".

sábado, 17 de outubro de 2009

As mais recentes descobertas do HARPS

Instrumento de alta resolução procura planetas semelhantes à Terra


Na próxima segunda-feira, uma equipa internacional de investigadores, da qual faz parte Nuno Cardoso Santos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), vai anunciar em conferência de imprensa as mais recentes descobertas do HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher).

A iniciativa a decorrer no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garret tem início às 12h45. Para além de Nuno Cardoso Santos, vão também estar presentes Stéphane Udry (Observatório de Genebra) e Xavier Bonfils (Laboratório de Astrofísica de Grenoble). Aos investigadores presentes no Porto, junta-se em videoconferência, a partir da Alemanha, Henri Boffin do Observatório Europeu do Sul (ESO).

O HARPS é um instrumento único, com um espectrógrafo de alta precisão, construído para procurar planetas semelhantes à Terra, à volta de estrelas do tipo solar. Está instalado no telescópio, no Observatório de La Silla do ESO, situado no Chile.
Cardoso Santos é responsável pela equipa de investigação «Origem e Evolução das Estrelas e Planetas» do CAUP, desenvolvendo estudos na área dos exoplanetas (planetas extra-solares). O investigador lidera ainda o consórcio português envolvido no projecto ESPRESSO (Echelle SPectrogaph for Rocky Exoplanet and Stable Spectroscopic Observations) para o ESO, que tem por objectivo procurar e detectar planetas parecidos com a Terra, capazes de suportar vida.
O anúncio realiza-se no âmbito da conferência «Towards Other Earths- Perspectives and Limitations in the ELT Era» que se realiza entre segunda e terça-feira, na cidade do Porto.


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