quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Vapor de água arrancado

Sonda Europeia Venus Express
Quantidades significativas de vapor de água foram arrancadas da atmosfera de Vénus pelo vento solar, revelam as observações da sonda europeia Venus Express, apresentadas ontem num congresso de planetologia na Alemanha. "Pensamos que houve grandes volumes de água em Vénus que escaparam para a atmosfera ou que foram arrancados pelo vento solar", sustentou o investigador francês Emmanuel Marcq.
Devido à presença de água na atmosfera de Vénus e Terra, os cientistas crêem que, num passado longínquo, ambos foram planetas parecidos.
"Durante um tempo, Vénus e Terra foram muito parecidos. É necessário perceber porquê e como puderam divergir, ao ponto de um ter-se tornado no berço da vida e o outro transformado num verdadeiro inferno", declarou o director-geral da Agência Espacial Europeia, Jean-Jacques Dordain.Segundo as medidas tiradas pelos espectrómetros da Venus Express, em altitudes entre os dez e os 110 quilómetros, a proporção de água pesada é cerca de duas vezes superior à da água normal na alta atmosfera, relativamente à baixa.A água pesada, onde o átomo normal de hidrogénio é substituído por um isótopo mais pesado, o deutério, "não pôde escapar à gravidade de Vénus tão facilmente como a água normal", precisou o investigador francês. O enriquecimento da alta atmosfera de Vénus com água pesada prova que a água escapou e que o planeta "era provavelmente mais húmido e parecido com a Terra num passado longínquo", acrescentou. Além disso, Emmanuel Marcq explicou que "o vapor de água é muito raro na atmosfera de Vénus. Se fosse água líquida, não cobriria a superfície [do planeta] mais do que alguns centímetros de espessura". O ar muito denso de Vénus é constituído por dióxido de carbono, gás com efeito de estufa, sendo que a temperatura média à superfície do planeta ultrapassa os 460 graus.Lançada há quatro anos, a sonda Venus Express estuda a atmosfera de Vénus, para melhor compreender os fenómenos climáticos que fazem deste planeta um inferno.

Descoberto exoplaneta rochoso como a Terra


Descoberto exoplaneta rochoso como a Terra: "Descoberto exoplaneta
rochoso como a Terra"

terça-feira, 28 de julho de 2009

Viver a Ciência - Humor Ciência: NASA encontrou vídeos perdidos da Apollo 11 filmados com telemóvel


razão pela qual a NASA optou por divulgar durante os primeiros 40 anos apenas imagens de fraca qualidade a preto e branco da ida à Lua permanece obscura. Sabe-se agora que os astronautas enviaram "Twitts" e partilharam fotografias e vídeos captados com os seus iPods e Blackberrys no Facebook em tempo real. As primeiras palavras de Neil Armstrong quando pisou a Lua terão mesmo sido escritas com os polegares, discretamente por baixo do fato espacial, e enviadas para a rede social twiter: "Tou na Lua. O k é k eu digo agora? LOL". As famosa frase do pequeno passo e do grande salto terão sido sugeridas por um anónimo da comunidade twitter que estava na reinação

Astronauta identifica marcas da destruição humana no planeta Terra


27.07.2009 - 15h29 Reuters



Um astronauta canadiano a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) identificou marcas da destruição humana no planeta Terra. Bob Thirsk falou ontem do degelo, fenómeno que evoluiu desde a última vez que tinha estado em órbita, há 12 anos.Thirsk está há dois meses na ISS e sempre que olha pela janela nunca deixa de ficar maravilhado. “É um véu muito fino de atmosfera que nos mantém vivos na Terra”, comentou o astronauta durante uma conferência de imprensa a partir do espaço.“Mas noto alguns efeitos da destruição humana na Terra. Pode ser apenas uma sensação, mas fico com a ideia de que os glaciares estão a derreter, o gelo nos picos das montanhas é hoje mais reduzido em relação ao que existia há 12 anos, a última vez que observei do espaço”. “Isso entristece-me um bocado”, admitiu.Thirsk deverá ficar na ISS durante seis meses.

Acordaram o 'Hubble' para olhar a cicatriz de Júpiter


A NASA ligou o renovado telescópio Hubble antes do tempo para fotografar a misteriosa cicatriz na superfície de Júpiter.
O telescópio captou, na quinta- -feira, com a a nova lente Wide Field Camera 3, imagens detalhadas do buraco que terá sido causado pelo choque de um asteróide ou cometa com o gigante gasoso
Os cientistas da NASA estavam a calibrar a nova lente, no domingo, quando o astrónomo amador australiano Anthony Wesley viu a misteriosa mancha negra, do tamanho da Terra, e deu o alerta que fez virar muitos telescópios para perto do Pólo Sul de Júpiter, que é o maior planeta do sistema solar.
"Achamos que magnitude do impacto é rara e temos muita sorte em poder observá-lo com o Hubble", disse Amy Simon Miller, da NASA.
"Os pormenores vistos através do Hubble mostram um aglomerado de fragmentos provocados pela turbulência na atmosfera de Júpiter", acrescentou.
As imagens do Hubble superam em muito aquelas captadas a partir da Terra e marcam o regresso em grande do telescópio que foi desligado em Setembro com problemas técnicos e, em Maio, foi alvo de uma inspecção em órbita.
Os cientistas planeavam acordar o Hubble de vez em Setembro e surpreender o mundo com novas imagens. Mas a promessa morreu. O Hubble está de volta.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Primeira viagem à Lua recriada em tempo real na Internet


Tudo a postos para o regresso à Lua. No próximo dia 20 de Julho comemoram-se os 40 anos da chegada do Homem à Lua e a biblioteca presidencial John Kennedy está a recriar em tempo real a missão Apollo 11 num site especial com vídeos e fotos históricas

http://www.wechoosethemoon.org/

A iniciativa arrancou na semana passada quando o site foi colocado online e pretende recriar o momento histórico, substituindo o ecrã da televisão pelo monitor do PC.
Desde então um relógio tem contado os minutos para a primeira fase da missão: o lançamento da nave espacial que levou a tripulação ao satélite natural da Terra.
Por enquanto o site «We Choose the Moon», expressão utilizada pelo presidente Kennedy num dos discursos sobre a conquista do Espaço, apenas disponibiliza o relógio e algumas imagens e vídeos alusivos à preparação da viagem, mas a partir da próxima quinta-feira, quando a contagem chegar ao fim, os cibernautas vão poder acompanhar a viagem em tempo real.
Para tornar a experiência mais fidedigna, será possível seguir todo o percurso também no Twitter, onde irão ser disponibilizadas as mensagens trocadas entre a tripulação da nave e a torre de controlo, desde a entrada na aeronave até aos primeiros passos de Neil Armstrong na Lua.
Já a chegada à Lua, no dia 20 de Julho, vai ser comunicada por e-mail a todos os que se inscreverem no site.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Descoberto menor exoplaneta


Cientistas descobriram o menor exoplaneta que se conhece.
Os investigadores descobriram um planeta cuja massa é apenas o dobro do da Terra, o que fez dele o mais pequeno exoplaneta (planeta fora do nosso sistema solar) entre os 350 já identificados, segundo um comunicado da Eso, a organização europeia para a investigação astronómica desde o Hemisfério Sul.
Este planeta, baptizado "Gliese 581 e", foi descoberto graças a investigações conduzidas a partir do espectógrafo HARPS, ligado a um telescópio de 3,6 metros de comprimento da ESO instalado em La Silla, no Chile.

terça-feira, 31 de março de 2009

Seis isolam-se em simulador de voo espacial

Durante 105 dias de experiência serão estudados os efeitos físicos e psicológicos de futura viagem até Marte
00h30m
EDUARDA FERREIRA
A simulação de condições vividas numa viagem até ao planeta vermelho vai agora ser feita por meia dúzia de homens, isolados durante mais de três meses. Mas esta é só a antecâmara de outra experiência, essa com 520 dias de duração.
As agências espaciais russa e europeia estão já a fazer a contagem decrescente para uma missão assente na Terra, mas com os parâmetros de uma viagem espacial. Marte é o "destino".
Hoje, seis homens dão entrada numa cápsula e só sairão dela 105 dias depois. Ao longo desses mais de três meses, os participantes na experiência ficarão fisicamente isolados do exterior e serão sujeitos a circunstâncias que, em princípio, replicam as de uma viagem até ao planeta vermelho. Mas esta é apenas uma primeira experiência. Para o final do corrente ano está prevista uma "viagem" similar, só que com cerca de 500 dias de duração.
Os seleccionados para a missão são quatro russos, um alemão e um francês, estes dois últimos por parte da Agência Espacial Europeia (ESA). Eles têm especializações muito diversas, desde a medicina à psicologia desportiva, passando pela pilotagem e pela engenharia mecânica. Dois dos russos são cosmonautas.
O prolongado teste conta com um significativo grau de protagonismo da Roscosmos, a agência espacial russa, e tem a participação da Academia Russa de Ciências. A faceta prática da análise de comportamentos psicológicos e somáticos será supervisionada pelo Instituto Russo de Problemas Biomédicos.
Os desafios colocados pressupõem uma semelhança com os que um astronauta se poderá defrontar numa longa viagem espacial. Até haverá situações de emergência simuladas. A capacidade de resposta de cada indivíduo e da equipa será testada também por um outro factor: o som demorará cerca de 20 minutos a percorrer a distância Terra-Marte e vice-versa.
Esta missão simulada, com a designação Marte500, não dá muita liberdade de movimentos aos participantes. Nos 200 metros quadrados de área (ver texto em baixo) haverá uma pequena parcela que reproduz a superfície do planeta vermelho, que permitirá algum exercício.
Mas se o objectivo é o de observar e analisar os efeitos de um confinamento prolongado de meia dúzia de indivíduos, a cápsula não engana: todos os participantes sabem que vão ser filmados de todos os ângulos como se estivessem a sujeitar-se ao escrutínio público de um programa de televisão do tipo "Big Brother". A experiência de 105 dias fornecerá muitas pistas indicativas dos comportamentos que serão levados a situações mais extremas na experiência subsequente, com 520 dias de permanência na cápsula.
O estudo de Marte, tal como o de Vénus, é um dos grandes desígnios da Agência Espacial Europeia, que os explora em missões próprias ou em parceria. A Rússia, a Índia e o Japão têm sido alguns dos aliados, a par da Agência Espacial Norte-Americana, a NASA.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Asteróide passou pela Terra sete vezes mais perto do que a Lua

O asteróide DD45, com 30 a 40 metros de diâmetro, passou na segunda-feira a 60 mil quilómetros do sueste do Pacífico, sete vezes mais perto do que a Lua, informa a imprensa australiana
A passagem do meteorito surpreendeu os astrónomos, que não esperavam que passasse tão perto do nosso planeta, referem os média.
«Nenhum objecto desse tamanho ou maior tinha sido observado tão perto da Terra» , disse Rob McNaught, cientista do observatório australiano de Siding Spring.
O 2009/DD45 é o asteróide que mais se aproximou da Terra desde 1973, segundo o astrónomo Peter Brown, da Universidade de Ontário, no Canadá, e tem um tamanho semelhante àquele que arrasou cerca de 2.000 quilómetros quadrados de bosque na Sibéria em 1908.
McNaught, contratado pela NASA, detectou o 2009/DD45 na noite de sexta-feira, 27 de Fevereiro e determinou que «por pouco» não atingiria a Terra na sua trajectória.
Cerca de mil asteróides estão classificados como potencialmente perigosos na sua passagem pela Terra ao longo da história.
Segundo McNaught, a probabilidade de que um meteorito de mais de um quilómetro de diâmetro colida com a Terra é de um em vários milhões de anos, enquanto a possibilidade de despenhar um corpo de menor tamanho mas capaz de põe em perigo uma cidade inteira é de um em várias centenas de anos.
Lusa / SOL

segunda-feira, 2 de março de 2009

Vídeos super interessantes

http://dsc.discovery.com/video/player.html?bclid=1588003250


Daily Science News in Video
Welcome to Discovery's world of news in video. Our unique, personality-driven video reporting puts our producers into the field with the newsmakers, covering science that no one else knows about.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Espaço: Nasa espera poder lançar vaivém Discovery a 12 de Março



Washington, 26 Fev (Lusa) - Após quatro adiamentos desde 12 de Fevereiro, a Nasa espera poder lançar o vaivém Discovery para a Estação Espacial Internacional (ISS) a 12 de Março, indicou quarta-feira à noite a agência.
Uma data precisa para o lançamento será escolhida pelos responsáveis do programa em função do avanço dos trabalhos, dos testes e análises em curso nas três válvulas que controlam a onda de hidrogénio gasosa entre os três motores criogénicos do vaivém e o tanque externo, precisou o comunicado da Nasa.
Durante o último lançamento do vaivém Endeavour, em Novembro, uma das três válvulas sofreu uma fissura sem colocar em perigo a tripulação.
Mas a Nasa quer estar segura de que o incidente não tenha consequências potencialmente catastróficas se por acaso voltar a acontecer.
A Agência quer ter confiança de que estas válvulas vão funcionar perfeitamente durante os oito minutos e metade da ascensão do vaivém para atingir a órbita terrestre.
Os engenheiros no Centro espacial Kennedy, perto do Cabo Canaveral, começaram a retirar as três válvulas da Discovery para as substituir por válvulas utilizadas menos frequentemente.
Os responsáveis da missão vão reunir-se novamente a 04 de Março para passar em revista os novos dados e avaliar os trabalhos em curso, precisa o comunicado.
Nessa altura vão decidir se vão realizar ou não uma reunião a 06 de Março para determinar se o vaivém está pronto para ser lançado.
Se razões técnicas ou o mau tempo impedirem um lançamento a 12 ou 13 de Março, a Nasa pode ainda decidir lançar o vaivém a 14 ou 15 de Março, mas reduzindo a duração da missão para não impedir a chegada à ISS de um Soyouz da agência espacial russa, revelou um porta-voz da agência.
Depois destas datas, a Nasa deverá esperar até 07 de Abril para lançar Discovery, altura em que o Soyouz já terá deixado a ISS.
Se o lançamento da Discovery for adiado para Abril, a Nasa deve então atrasar um mês o voo do próximo vaivém previsto para Maio para a última missão de reparação do telescópio espacial Hubble.
A Discovery e a sua tripulação de sete astronautas, um dos quais japonês, deve durante esta missão de 14 dias entregar o quarto e último par de antenas solares da ISS.
Estas duplas antenas são necessárias para que a ISS produza suficiente electricidade, indispensável para efectuar todas as experiências científicas dos laboratórios europeus e japoneses entregues em 2008, assim como para responder às necessidades de uma tripulação permanente que deve passar de três para seis pessoas em Maio.
Será o primeiro lançamento de um vaivém espacial em 2009.
No total nove voos de vaivém estão ainda previstos para terminar a construção da ISS, um projecto de cem mil milhões de dólares, no qual participam 16 países, e efectuar a última missão de manutenção do Hubble.
Os três vaivéns da frota deverão ser desactivados a 30 de Setembro de 2010.
LMP
Lusa/fim

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Irão coloca em órbita o seu primeiro satélite Omid


O Irão colocou em órbita o seu primeiro satélite Ormid, por intermédio do foguetão Safir-2, anunciou hoje a agência noticiosa iraniana Fars
«É o primeiro satélite na história da nossa nação a ser lançado e foi transportado pelo foguetão Safir-2», indica a agência Fars, enquanto a agência oficial Irna precisou que o lançamento se deu na noite de segunda-feira.O Irão anunciou no final de Novembro que tinha lançado com êxito o foguetão espacial Kavoshgar-2 e recuperado a sonda que ele transportava.
Lusa/SOL

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

o relógio de Newton


O relógio de Newton

Lei da gravitação universal
Logo após a publicação em 1687 dos Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, a grande obra de Newton, as suas ideias e as suas técnicas difundiram-se rapidamente e começaram a ser usadas na solução de diversos problemas da astronomia. Sucesso após sucesso, a comunidade científica dos sécs. XVIII e XIX ficou rendida à gravitação Newtoniana. Mas o impacto da obra de Newton estendeu-se muito para além da astronomia, a todas as áreas da física, e deu origem a uma atitude optimista em relação à capacidade humana de, através da matemática, entender o Universo, que funcionaria de acordo com leis deterministas expressas por equações diferenciais como as que Newton escreveu para o sistema solar, como um gigantesco mecanismo de relógio cujas engrenagens eram leis físicas quantitativas simples. Depois de Newton, a partir do final do séc. XVII, toda a comunidade científica abraçou a nova forma de fazer ciência, assente em observar a natureza e descrevê-la com equações.
No entanto, o próprio Newton rapidamente reconheceu as dificuldades matemáticas que se podiam encontrar numa equação diferencial. Não é difícil resolver o chamado problema dos dois corpos, o do movimento de um sistema de dois corpos em interacção gravítica, por exemplo, o Sol e um planeta, ou um planeta e um satélite. Já sabemos que as soluções foram encontradas pelo próprio Newton, e incluem as órbitas elípticas descritas pelas leis de Kepler, entre outras. Mas, se o campo gravitacional produzido pelo Sol é suficientemente predominante para que possamos desprezar a interacção mútua dos planetas sem afectar muito os resultados, para obter soluções muito precisas é necessário em muitos casos considerar a influência dos planetas de maior massa, como Júpiter. Assim, um problema de gravitação é muitas vezes posto como um problema a mais de 2 corpos. Mas as equações de Newton escritas para 3, 4, ou mais corpos em interacção não possuem as soluções que surgem no problema de 2 corpos, suficientemente simples para que possam ser descritas em termos de um pequeno número de funções conhecidas. Como é que Newton e os astrónomos, matemáticos e físicos que continuaram o seu trabalho resolveram este problema?
Para problemas como este, que são pequenas perturbações de problemas com soluções conhecidas, desenvolveram-se técnicas que nos permitem chegar a soluções aproximadas, mas com uma precisão em princípio arbitrariamente grande, desde que tenhamos capacidade para calcular os passos necessários para atingir uma certa precisão. O conjunto destes métodos, que ainda hoje continuam a desenvolver-se, chama-se teoria das perturbações, e é com base nele que é possível obter a partir das leis de Newton resultados relevantes para a dinâmica do sistema solar. O êxito deste programa na astronomia foi tão grande que hoje nos permite enviar a distâncias de milhões de kilómetros missões espaciais que chegam ao seu destino com erros da ordem das dezenas de kilómetros.
Triunfos da gravitação newtoniana
O cometa Halley

Cometa Halley
Em 1705, o astrónomo inglês Edmund Halley usou a lei da gravitação para achar as órbitas de cometas, às quais as leis de Kepler não fazem referência, mas que têm que corresponder também a soluções do problema de dois corpos, uma vez que a lei de gravitação de Newton se aplica a todos os corpos. Analisando essas soluções, Halley identificou os cometas observados em 1531, 1607 e 1682 como pontos de uma mesma órbita elíptica de grande excentricidade em torno do Sol, ligeiramente perturbada pela presença dos outros planetas, e que passa próximo da Terra de 76 em 76 anos. Com base neste cálculo, Halley previu que o cometa voltaria a passar próximo da Terra em 1758.
Morreu em 1742, não chegando a ver o dia no ano de 1758 em que o cometa que foi baptizado com o seu nome apareceu de facto no céu. Se pensarmos que os cometas, cuja aparição perturbava a absoluta regularidade da ordem celeste, eram vistos como mensageiros dos deuses e prenúncio de grandes eventos, poderemos imaginar o impacto que terá tido o mostrar que afinal eram mais uma manifestação dessa ordem, e que essa ordem era comandada por uma equação.
A descoberta de Neptuno

Descoberta de Neptuno
Até 1781 só eram conhecidos os planetas até Saturno. Neste ano, o astrónomo William Herschel, como por acaso, quando apontava o seu telescópio para o céu, descobriu um novo objecto que se movia relativamente às estrelas: tinha acabado de descobrir Urano. Quando a comunidade de astrónomos soube deste novo planeta, quis naturalmente calcular a sua órbita de acordo com as leis de Newton e comprovar mais uma vez o preciso acordo com as observações. No entanto, nos anos que se seguiram, Urano pareceu comportar-se de maneira um pouco diferente das previsões, mesmo levando em conta as influências gravitacionais de Júpiter e Saturno. O que se observou foi que, até 1822, Urano parecia estar a acelerar na sua órbita, e, a partir dessa altura, o planeta começou a atrasar-se em relação ao movimento previsto. Foi então sugerido que as discrepâncias observadas eram causadas por um 8º planeta, com uma órbita para lá de Urano e numa posição tal que a atracção gravitacional deste planeta sobre Urano produzia exactamente os efeitos observados (ver figura). Atraídos por esta hipótese, 2 jovens matemáticos a trabalharem independentemente, Le Verrier e John Couch Adams, propuseram-se fazer o trabalho necessário para transformar esta ideia numa conjectura científica, que possa ser testada pelas observações: se é verdade que os desvios que observamos em Urano são causados por um 8º planeta, qual a órbita que este planeta tem que ter de modo a produzir esses desvios? A solução deste problema não foi fácil, pela dificuldade técnica dos cálculos envolvidos, e porque era necessário estabelecer hipóteses sobre a massa e a distância ao Sol do planeta desconhecido. Os dois matemáticos chegaram a previsões semelhantes e disseram aos astrónomos para onde deviam apontar os seus telescópios. Surpresa das surpresas, ou nem tanto, o novo planeta foi então imediatamente descoberto e baptizado como Neptuno.
O efeito Slingshot

Efeito Slingshot
O desenho de missões espaciais é o mais moderno triunfo da gravitação newtoniana. O Slingshot é uma técnica usada pela NASA e pela ESA para deflectir as trajectórias de naves espaciais sem gastar combustível. A técnica em si é muito simples de perceber e assenta em 2 princípios gerais da mecânica newtoniana: conservação da energia e conservação do momento. Quando falamos no sistema solar dizemos que é conservativo, isto é, a energia é conservada. Quer isto dizer que o resultado da interacção gravitacional entre dois corpos, por exemplo Júpiter e uma missão espacial, mantém a energia do sistema inalterada: a nave aproxima-se de Júpiter e ganha velocidade (transforma energia potencial em energia cinética), mas como um Skater que desce de um half pipe e torna a subir, a nave traça uma hipérbole e volta a transformar a energia cinética que ganhou em energia potencial, quando se afasta do planeta. Do ponto de vista de Júpiter, num encontro próximo rápido, a velocidade que a nave trazia antes de passar por si é a velocidade que a nave leva ao afastar-se. No entanto, Júpiter não está parado. O que o Sol vê, ver figura, é que Júpiter, ao encurvar a trajectória da nave, acelera-a, transferindo-lhe uma parte do seu momento: apesar do momento linear do sistema Júpiter/nave ser conservado num encontro rápido, há troca de momento entre os dois corpos. No caso mais frequente, a nave aumenta de velocidade à custa da velocidade do planeta. Como o momento é o produto da massa pela velocidade e a massa do planeta é muito maior que a da nave, essa perda de velocidade é desprezável. Por exemplo, a Cassini, uma nave de 5700 kg lançada pela NASA a 15 de Outubro de 1997 teve como destino Saturno. Para lá chegar, a NASA levou a Cassini a fazer voos próximos a Vénus(2), Terra e Júpiter. A primeira passagem a Vénus deu-lhe uma velocidade adicional de 7 km/s, a passagem pela Terra aumentou-lhe a velocidade em 5.5 km/s, em Júpiter ganhou mais 2 km/s. Desta maneira, Cassini chegou a Saturno a 1 de Julho de 2004. Feitas as contas a NASA poupou 75 toneladas de combustível que de maneira alguma teria conseguido colocar a bordo de uma missão que se quer o mais rápida e o menos dispendiosa possível. Dividindo a massa da nave ( = 5700 kg) pela massa de Vénus ( = 4.869 x 1024 kg ), ficamos com uma ideia da ordem de grandeza da velocidade que Vénus perdeu na interacção, 10-18 m/s. O segredo está precisamente na grande massa dos planetas que lhes permite oferecer boleias às nossas missões sem alterarem significativamente o seu curso.
A Física newtoniana foi responsável na ciência pela idade do optimismo. A elegância das leis de Newton e a qualidade das suas previsões deram origem a uma grande confiança na possibilidade de vir a compreender e controlar todos os fenómenos da natureza com a mesma fiabilidade e precisão com que o sistema solar parecia poder ser descrito. Um dos grandes expoentes deste optimismo foi o físico matemático francês Pierre Simon Laplace (1749-1827). Grande matemático e mestre nas técnicas da teoria de perturbações, Laplace propôs-se a responder a uma pergunta que persistia no seu tempo: será que o sistema solar é estável? Isto é, a aparente ordem que observamos nos céus é estável para tempos ilimitados, ou a certa altura o batimento deste relógio cósmico pode vir a falhar, levando a acontecimentos catastróficos à escala do sistema solar? Apesar de o problema ter continuado em aberto até muito depois dos trabalhos de Laplace, os cálculos aproximados que foi capaz de levar até uma grande precisão levaram-no a favorecer uma resposta afirmativa ao problema da estabilidade, e a uma enorme confiança na capacidade de previsão da mecânica newtoniana, que traduziu na famosa frase:
Podemos considerar o estado presente do Universo como o efeito do seu passado e a causa do seu futuro. Se um intelecto, num determinado momento, conhecesse todas as forças que são a causa de movimento na natureza e a posição de todos os corpos que a constituem, e se além disso fosse suficientemente vasto para submeter toda essa informação a análise, então conseguiria, numa única fórmula, abarcar o movimento dos maiores corpos do Universo, assim como do mais pequeno átomo; para um tal intelecto, nada seria incerto, e tanto o futuro como o passado estariam perante os seus olhos.
Apesar do optimismo, nem todos ficaram satisfeitos com a resposta de Laplace a este problema, que não era final no sentido em que dependia da possibilidade de poder desprezar o efeito de termos suficientemente pequenos nas equações com que trabalhou. O futuro veio a dizer que precisamente nesses termos o sistema solar escondia algo de imprevisível: o caos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009


The Chinese Shenzhou-7 manned spaceship, the Long-March II-F rocket and the escape tower are transferred to the launch pad at the Jiuquan Satellite Launch Center, Gansu province, China on September 20, 2008. Taikonaut Zhai Zhigang performed China's first-ever spacewalk on the successful mission. (REUTERS/Stringer

This sequence of 12 frames was taken by NASA's Cassini spacecraft over a span of about 45 minutes on March 12, 2008. In that brief time, Cassini covered almost 40,000 kilometers in its approach to a flyby encounter with Enceladus, one of the moons of Saturn. The overexposure and smearing of the images gives a hint of the raw speed involved - 14.4 km/sec (or 32,211 mph). Shortly after this sequence, at its closest, Cassini approached within 52 km (32.3 miles) of the surface of Enceladus. (NASA/JPL-Caltech) #


http://www.boston.com/bigpicture/2008/12/2008_the_year_in_photographs_p.html

Astronaut Karen Nyberg, STS-124 mission specialist, looks through a window in the newly installed Kibo laboratory of the International Space Station while Space Shuttle Discovery is docked with the station on June 10th, 2008. (NASA)

Spacesuit engineer Dustin Gohmert drives NASA's new lunar truck prototype through the moon-like craters of Johnson Space Center's Lunar Yard. The lunar truck was built to make such off roading easy, with six wheels that can be steered independently in any direction. In addition, the steering center can turn a full 360 degree, giving the driver a good view of what's ahead, no matter which way the wheels are pointing. (NASA/JSC)
The Space Shuttle Discovery lifts off from launch pad 39-A at Kennedy Space Center on May 31, 2008 in Cape Canaveral, Florida, en route to the International Space Station on a construction mission.

Parque Biológico constrói cúpula para ver estrelas

Observatório astronómico será inaugurado em Abril no ponto mais alto do espaço verde

01h00 m
CARLA SOFIA LUZ
Os animais podem ser as estrelas do Parque Biológico de Gaia, mas o futuro contará com o brilho de outros protagonistas.
Um dos projectos para este ano é a construção de um observatório astronómico no ponto mais alto do espaço verde.
A cúpula nascerá num terreno cujo acesso está interdito ao público. O parque conquistará mais alguns metros e o percurso dos visitantes alterar-se-á com a introdução desta valência e a abertura dos novos pavilhões de exposição já em construção. Não é uma novidade para o parque - que possuiu actualmente mais utentes adultos do que crianças entre os 130 mil clientes anuais - colocar os visitantes de cabeça no ar. Ocasionalmente, fazem-se observações nocturnas de estrelas e de planetas numa área, próxima da entrada do parque. O futuro observatório permitirá que as iniciativas se realizem com mais frequência e maior conforto.
"A ideia do observatório astronómico já é antiga. Ao fazerem-se os pavilhões de exposição, tomou-se a decisão definitiva de construi-lo no mesmo local. Actualmente, fazemos actividades de observação astronómica, mas tínhamos sempre de andar com os equipamentos pesados de um lado para o outro. E as actividades eram feitas ao ar livre. Desde que o céu não esteja encoberto, será possível realizar observações com maior frequência", esclarece, ao JN, Nuno Oliveira, presidente da Empresa Municipal do Parque Biológico de Gaia. A execução da cúpula está adjudicada.
Logo que o edifício fique concluído, os telescópios serão posicionados e ficarão em permanência no novo espaço. A vontade de Nuno Oliveira é que o observatório abra as portas a 8 de Abril, ou seja, no dia da Astronomia.
Dois meses depois, serão inaugurados os pavilhões de exposição com mais do dobro de área da infra-estrutura actual, situada no início do percurso do parque. O pavilhão antigo será demolido, assim que os novos (com uma área que corresponde a cerca de dois mil metros quadrados) fiquem prontos. A exposição retratará os diferentes ecossistemas.
"Gostaríamos de abrir o novo espaço expositivo a 5 de Junho no Dia Mundial do Ambiente. Terá o deserto, a savana, as dunas litorais, a floresta tropical e um ambiente jurássico", sublinha Nuno Oliveira. Como não é possível ter animais vivos de grande porte (alguns extintos), o Parque Biológico apresentará réplicas de zebras, de elefantes, de leopardos, de crocodilos e de dinossauros. "Queremos ter uma exposição com três elementos: animais e plantas vivas e réplicas", assinala. As figuras em tamanho real foram produzidas nas Filipinas e vêm, neste momento, a caminho de Portugal dentro de um contentor num barco. Chegarão este mês a Gaia.
No ano em que se celebra o bicentenário do nascimento de Darwin, o Parque Biológico, que também está a reformular a biblioteca e do centro de documentação, está a organizar uma exposição sobre o cientista. A mostra, a inaugurar a 12 de Fevereiro, ficará patente durante um ano.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Marte emite metano e está vivo


00h30m
EDUARDA FERREIRA
As suspeitas levaram a observações sistemáticas desde 2003: Marte teria emissões de metano. Cientistas da NASA dizem agora ter confirmado o fenómeno, ainda que não saibam se a origem é de natureza biológica ou geológica.
A atmosfera de Marte contém metano que está permanentemente a ser produzido e destruído, garantem cientistas da agência espacial norte-americana que desde há quase seis anos vêm fazendo observações com dois tipos de telescópios. Em 2003, Michael Mumma e a sua equipa tinham observado plumas de metano libertando-se em regiões do hemisfério Norte do planeta. Tal libertação era significativa, mas foi necessário este tempo para confirmar que se tratava mesmo de um processo contínuo.
Os cientistas foram observando emissões como se de um fumo de chaminé se tratasse (plumas). Eles chegaram mesmo a quantificar o gás saído para a atmosfera de Marte: nas zonas observadas equivaleria a quase 19 mil toneladas de metano. O fenómeno só foi observável no hemisfério Norte de Marte e durante as estações mais quentes. Isto talvez porque, especulam os cientistas, o gelo que tapa crateras e fissuras no solo durante a estação fria não permita ao gás escapar.
Os cientistas não colocam a hipótese de o metano ter sido levado para Marte por qualquer corpo celeste, como um cometa que ali tivesse impactado. As observações dirigem-se, portanto, às duas fontes possíveis: ou a água subterrânea está a produzir reacções químicas com elementos metálicos ou o gás surge da acção de micro-organismos.
De acordo com Michael Mumma, se for a vida microscópica marciana a produzir o metano, isso ocorrerá bastante abaixo da superfície, onde as temperaturas permitem a existência de água no estado líquido. É possível que esses micro-organismos tenham subsistido por milhões de milhões de anos.
Para estas observações os cientistas recorreram a dois tipos de equipamentos: Acoplaram espectómetros aos telescópios instalados no Havai para conseguirem a difracção da luz nas cores que a compõem, tal como um prisma a separa nos tons do arco-íris. Por este processo identificaram características espectrais que correspondem ao metano. As certezas dos cientistas quanto às emissões contínuas do gás baseiam-se também no facto de a atmosfera de Marte destruir de forma muito rápida o metano. Logo, se ele se mantém presente, é porque está a ser emitido em contínuo.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ano Internacional de Astronomia


O Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) será uma celebração global da astronomia e da sua contribuição para a sociedade e para a cultura, estimulando o interesse a nível mundial não só na astronomia, mas na ciência em geral, com particular incidência nos jovens.O AIA2009 assinala o passo de gigante que constituiu a primeira utilização do telescópio para observações astronómicas por Galileu, e retrata a astronomia como uma iniciativa cientifica pacifica que une os astrónomos numa família internacional e multicultural, trabalhando em conjunto para descobrir as respostas para algumas das questões mais fundamentais para a Humanidade. O AIA2009 é, antes de mais nada, uma actividade para os cidadãos do Planeta Terra. Pretende transmitir o entusiasmo pela descoberta pessoal, o prazer de partilhar conhecimento sobre o Universo e o nosso lugar nele e a importância da cultura científica. A maior parte das actividades do AIA2009 terá lugar a vários níveis: local, regional e nacional. Alguns países formaram já comités nacionais para preparar actividades para 2009. Estes comités constituem colaborações entre astrónomos amadores e profissionais, centros de ciência e comunicadores de ciência. A nível geral, a União Astronómica Internacional (UAI) terá um papel de destaque enquanto catalizadora a coordenadora. A UAI irá organizar um pequeno número de eventos globais ou internacionais como as Cerimónias de Abertura e Encerramento, mas as principais actividades terão lugar a nível nacional e serão coordenadas pelos Nodos Nacionais em estreita colaboração com a UAI.Em Dezembro de 2007 a Organização das Nações Unidas declarou 2009 como Ano Internacional da Astronomia
download da brochura do AIA 2009
© 2009 AIA 2009 - Ano Internacional da Astronomia 2009

Prémios Nobel abrem Ano Internacional da Astronomia em Paris


Prémios Nobel como Bob Wilson (Física) e Baruch Blumberg (Medicina) e cientistas de renome mundial como Hubert Reeves, Martin Rees e Michel Mayor, participam hoje na sede da UNESCO, em Paris, na cerimónia oficial de abertura do Ano Internacional de Astronomia (AIA 2009), onde estão presentes mais de 600 pessoas, incluindo 200 jovens estudantes provenientes de 100 países e representantes governamentais.
Depois da abertura oficial segue-se uma conferência que vai abordar os temas "Astronomia: História e Cultura", "De Galileu (400 anos) a Apollo (40 anos)" e "Astronomia moderna: descobertas das nossas origens", e uma conferência de imprensa com o famoso astrofísico Hubert Reeves, o Nobel da Física Bob Wilson e a presidente da União Astronómica Internacional, Catherine Cesarsky, entre outros.
O AIA é coordenado por um astrónomo português, Pedro Russo, e patrocinado pela ONU, UNESCO e União Astronómica Internacional, coincidindo com os 400 anos das primeiras observações do espaço celeste feitas por Galileu com um telescópio astronómico. O objectivo da iniciativa é promover a observação do céu e criar uma plataforma para informar o público sobre as descobertas mais recentes na Astronomia, assim como demonstrar o papel central que esta ciência pode desempenhar na educação científica.
Amanhã, sexta-feira, as cerimónias continuarão com a conferência e novos temas: "Estrelas: vida e morte", "Buracos negros e Espaço" e "Observação remota". Haverá ainda uma videoconferência ao vivo com os astrónomos do VLT (Very Large Telescope), um dos maiores telescópios do mundo, localizado no Deserto do Atacama (Paranal), no Chile, que pertence ao Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla inglesa).
Na videoconferência Hubert Reeves falará sobre 'A questão dos universos paralelos' e o astrónomo francês André Brack sobre 'A maior questão de todas: a procura de vida extraterrestre'.
Portugal é membro do ESO, o que permite aos nossos astrónomos usarem regularmente tempo de observação nos telescópios gigantes do Chile e participarem em projectos europeus.
No nosso país, a abertura oficial do AIA 2009 está marcada para 31 de Janeiro na Casa da Música, no Porto e inclui uma palestra da conhecida astrofísica Teresa Lago, professora da Universidade do Porto, um concerto da Orquestra Nacional do Porto - que vai interpretar obras sobre a temática da astronomia, como 'Os Planetas', de Gustav Holst - e uma sessão de observação astronómica.

Espectáculo cósmico em 135 países

Nebulosa Gemini
O Ano Internacional da Astronomia terá iniciativas durante os 365 dias do ano. Sob o lema "Descobre o teu Universo", o AIA 2009 mobiliza na sua organização milhares de astrónomos profissionais e amadores de 135 países.
Em Portugal, entre observações, exposições, debates, "workshops", concursos e edições de livros, vão acontecer milhares de eventos em 2009 - ver em www.astronomia2009.org
E mais de 230 instituições - centros de investigação, sociedades e associações científicas, observatórios astronómicos, planetários, museus de ciência, escolas e autarquias - estão associadas ao AIA 2009.


1. Eventos globais
- "Grupo de Física Solar": este grupo fez no dia 1 de Janeiro uma campanha mundial envolvendo 30 países e 150 eventos, onde astrónomos montaram telescópios nas ruas e centros de ciência para o público em geral poder observar o Sol.
- "Diário Cósmico": tem um site oficial em www.cosmicdiary.org e mostra-nos a rotina diária de astrónomos profissionais.
- "365 dias de Astronomia": publica um "podcast" por dia em http://365daysofastronomy.org
- "100 horas de Astronomia": vai acontecer entre 2 e 5 de Abril e pretende ter o número máximo de pessoas a espreitar por um telescópio tal como Galileu o fez há 400 anos. Terá ainda actividades de divulgação e "webcasts" ao vivo em www.100hoursofastronomy.org
- "Da Terra para o Universo": colocação de imagens astronómicas de grandes dimensões em locais não convencionais em mais de 30 países. Em Portugal poderão ser vistas em MUPI nas ruas e em exposições.
- "The World at Night": exposições e eventos educativos com fotos e videos de paisagens onde surge o céu estrelado.
- "Dark Skies Awareness": sensibilizar o público para o problema da poluição luminosa nas áreas urbanas. Em Portugal o evento será promovido durante a "Noite da Astronomia", no dia 15 de Julho, em que as luzes da zona central de várias cidades serão desligadas durante algumas horas. Ver em www.darkskiesawareness.org
2. Projectos nacionais
- Participação nacional nos eventos globais.
- "Workshops" para professores por todo o país.
- Concurso de Astronomia Artística para alunos do ensino básico e secundário.
- Publicação da versão portuguesa do livro "Sidereus Nuncius" de Galileu Galilei, onde ele relata algumas das suas primeiras observações astronómicas.
- "E agora eu sou Galileu", uma iniciativa em que se vão reproduzir por todo o país as observações de Galileu.
- Série de selos dos CTT alusiva à astronomia.
3. Eventos celestes a não perder
- 22 de Julho: o maior eclipse total do Sol do século XXI, com a duração de 6 minutos e 39 segundos, visível num estreito corredor que passará pela Índia, Bangladesh e China.
- Meio de Outubro: Júpiter será visível durante o crepúsculo do Hemisfério Norte.
- Meio de Novembro: forte chuva de meteoros, com cerca de 500 estrelas cadentes por hora.

Como nasceram as estrelas?

















A Astronet, uma organização que reúne 28 instituições europeias ligadas à astronomia e à exploração espacial, incluindo as maiores agências de financiamento de projectos nesta área - como a Agência Espacial Europeia (ESA) e o Observatório Europeu do Sul (ESO) - listou as grandes questões que os astrónomos e físicos do Velho Continente querem ver respondidas nos próximos 20 anos.
Nebulosa Orion
Recorde-se que a organização propôs recentemente um plano a 20 anos de construção de infraestruturas e de formação e recrutamento dos recursos humanos necessários para que a ciência europeia possa dar respostas esclarecedoras quanto a muitas dessas questões.
Eis algumas das mais importantes:
1. Como começou o Universo? Conhecer a sua origem é o objectivo supremo da Física. A descrição dos primeiros instantes do Universo vai exigir a descoberta de uma teoria quântica da gravidade. Até agora, foram as cinco teorias das cordas e a Teoria M (que as combina) que mais se aproximaram deste objectivo. Em todo o caso, os cosmólogos trabalham com a Teoria do Big Bang para explicar a evolução do Universo desde o primeiro segundo até à actualidade.
2. O que é a matéria escura e a energia escura? Todas as estruturas do Universo limitadas pela força da gravidade parecem ser dominadas por matéria escura, invisível. Identificá-la é, por isso, fundamental para a Cosmologia e para a Física. Por outro lado, o Universo é dominado por um tipo de energia desconhecida (escura), uniformemente distribuída, que explica, por exemplo, porque está a acelerar a sua velocidade de expansão.





Nebulosa Iris
3. Como funcionam as supernovas? As explosões de supernovas representam o final da evolução das estrelas e constituem os fenómenos mais extremos do Universo em termos de temperatura, densidade da matéria e da energia. Estão na origem da formação de estrelas de neutrões e de buracos negros, e criam alguns dos mais importantes elementos químicos necessários à existência de vida.
4. E os buracos negros? O crescimento dos buracos negros é considerado a fonte de energia mais eficiente que há: 5% da energia total emitida no Universo tem origem neste processo. É uma energia gravitacional libertada da matéria que cai nos buracos negros, mas os detalhes de todo o fenómeno são ainda desconhecidos. Os cientistas pensam que estes objectos supermassivos têm um efeito decisivo no funcionamento das galáxias que os albergam, em especial na formação de estrelas.
Cometa Hale_Bopp
5. Como evoluiu o Universo? O mistério do nascimento das primeiras estrelas, supernovas, buracos negros e galáxias, bem como das fontes originais que permitiram a concretização dessa etapa inicial do Universo, só há pouco tempo começou a ser desvendado, graças às últimas observações e às simulações em computador.
6. De que maneira se formaram e evoluíram as galáxias? É uma das áreas da Astronomia e da Física onde se registaram mais progressos nos últimos anos, incluindo o nascimento de grupos de galáxias, 'enxames' e 'super-enxames' a partir da matéria escura. Mas há vários problemas ainda por resolver na teoria básica que explica todos estes processos.

Via Láctea
7. E a Via Láctea? Os astrónomos europeus consideram a Via Láctea e o grupo local de galáxias a que esta pertence como a área de teste ideal para definir com precisão os modelos de formação destes objectos. A nossa galáxia contém uma mistura complexa de estrelas, gás e poeira interestelares, matéria escura e planetas, distribuídos de forma desigual, com uma estrutura e uma dinâmica que nos podem revelar muito sobre a evolução do próprio Universo.
Plêiades e cometa
8. Como nasceram as estrelas? Uma teoria detalhada da formação das estrelas é uma peça fundamental para entendermos o nascimento das galáxias e dos planetas. Mas por enquanto temos apenas rudimentos dessa teoria, que pode explicar como a matéria interestelar difusa deu origem às estrelas e aos sistemas estelares que hoje conhecemos.
9. Como se formaram e evoluíram os sistemas planetários? A dinâmica dos discos de gases e poeiras que se formam à volta das estrelas, e que os cientistas acreditam ter um papel decisivo na criação de planetas, é ainda mal compreendida.
Galáxia Antennae
10. Qual é a diversidade de sistemas planetários na Via Láctea? O primeiro planeta extra-solar semelhante à Terra foi recentemente descoberto através de métodos de detecção indirectos, que já permitiram encontrar desde 1995 dezenas de planetas orbitando outras estrelas. Mas o objectivo final da pesquisa planetária passa pelas detecções directas através de telescópios e outros instrumentos que ainda não existem, bem como pela caracterização de planetas semelhantes à Terra em zonas habitáveis de sistemas semelhantes ao Sistema Solar.
11. Há evidência de vida nos planetas fora do Sistema Solar? Com os telescópios existentes é possível medir a composição química da atmosfera dos planetas extra-solares, mas as conclusões que se podem tirar quanto à existência de condições favoráveis à vida são ainda muito limitadas, sendo necessária uma nova geração de instrumentos de observação em terra e no espaço. As técnicas de detecção terão também de evoluir porque a vida poderá existir em condições diversas das que existem na Terra, em planetas com idades e composições diferentes.
12. Onde devemos procurar vida no Sistema Solar? É uma pergunta que se pode dividir em várias questões. Os cometas têm aminoácidos, matéria-prima essencial para que a vida possa emergir? A superfície e o subsolo de Marte tiveram água no passado? Se sim, a vida surgiu e desenvolveu-se, e podemos encontrar hoje sinais dela? Há vida à superfície de Europa (o satélite de Júpiter), que pode ter sido trazida pela actividade tectónica ou pelo impacto de meteoritos? Há outros satélites que possuem um oceano de água debaixo da sua calote gelada, e se sim qual é a sua profundidade?

estação espacial



1462 - Les Bienfaits de la lune(A Lua vista de Sul, José Manuel de Figueiredo)



La Lune, qui est le caprice même, regarda par la fenêtre pendant que tu dormais dans ton berceau, et se dit: "Cette enfant me plaît."Et elle descendit moelleusement son escalier de nuages et passa sans bruit à travers les vitres. Puis elle s'étendit sur toi avec la tendresse souple d'une mère, et elle déposa ses couleurs sur ta face. Tes prunelles en sont restées vertes, et tes joues extraordinairement pâles. C'est en contemplant cette visiteuse que tes yeux se sont si bizarrement agrandis; et elle t'a si tendrement serrée à la gorge que tu en as gardé pour toujours l'envie de pleurer.Cependant, dans l'expansion de sa joie, la Lune remplissait toute la chambre comme une atmosphère phosphorique, comme un poison lumineux; et toute cette lumière vivante pensait et disait: "Tu subiras éternellement l'influence de mon baiser. Tu seras belle à ma manière. Tu aimeras ce que j'aime et ce qui m'aime: l'eau, les nuages, le silence et la nuit; la mer immense et verte; l'eau uniforme et multiforme; le lieu où tu ne seras pas; l'amant que tu ne connaîtras pas; les fleurs monstrueuses; les parfums qui font délirer; les chats qui se pâment sur les pianos et qui gémissent comme les femmes, d'une voix rauque et douce!"Et tu seras aimée de mes amants, courtisée par mes courtisans. Tu seras la reine des hommes aux yeux verts dont j'ai serré aussi la gorge dans mes caresses nocturnes; de ceux-là qui aiment la mer, la mer immense, tumultueuse et verte, l'eau informe et multiforme, le lieu où ils ne sont pas, la femme qu'ils ne connaissent pas, les fleurs sinistres qui ressemblent aux encensoirs d'une religion inconnue, les parfums qui troublent la volonté, et les animaux sauvages et voluptueux qui sont les emblèmes de leur folie."(Charles Baudelaire)

Saturno visto contra o sol


quarta-feira, 8 de outubro de 2008