terça-feira, 25 de outubro de 2011

Singularidades do astro-rei desafiam Einstein

Físicos procuram teorias "melhores" que a da Relatividade
2011-10-18 Por Marlene Moura (texto)

Há já algum tempo que os investigadores da física fundamental tentam ir para além da Teoria da Relatividade, defendendo que há pequenas singularidades que “não se inserem no modelo padrão”. Apesar de ser “muito elegante”, existem “várias indicações de que não é a mais correcta” assegurou ao «Ciência Hoje» Vítor Cardoso, investigador do Centro Multidisciplinar de Astrofísica (CENTRA) do Instituto Superior Técnico e um dos membros do grupo que propõe que o sol pode ser usado para testar alternativas à teoria de Einstein.
O estudo, que será brevemente publicado na revista científica «The Astrophysical Journal», sublinha que a teoria, tal como proposta por Albert Einstein, descreve a atracção gravítica entre os corpos celestes como uma curvatura do espaço-tempo. Contudo, não explica alguns dos mais importantes problemas da cosmologia e física moderna, tais como a origem da matéria escura e/ou energia escura, e a existência de singularidades nas equações fundamentais, fazendo com que as leis da física deixem de ser validas.
Maximo Barados, da Universidade Católica no Chile, e o astrofísico português Pedro Ferreira, da Universidade de Oxford, propuseram uma variante (originalmente proposta por Arthur Eddington), que consegue evitar a formação de singularidades nas equações fundamentais, e onde o Universo não nasceu necessariamente de um Big Bang. “Esta teoria é semelhante à de Einstein, mas modifica a estrutura no interior das estrelas”, referiu ainda Vítor Cardoso.
Esta alternativa apresenta importantes diferenças na presença de matéria, mas torna-se equivalente no vazio. O investigador assegurou que para testar a teoria seria necessário recorrer “a estrelas muito densas”, ou seja, “estrelas de neutrões”, mas como o seu interior não bem conhecido e não é fácil chegar a estas, “a resposta é o sol”.
O interior desta estrela é conhecido com elevada precisão, permitindo testar as mais fundamentais leis da física. No entanto, “a densidade no seu interior depende da força de gravidade e da forma como o hélio e o hidrogénio estão distribuídos”, continuou. A vantagem é “conhecer os neutrinos que chegam do sol” – permitem “restringir teorias alternativas”.

Os cálculos da equipa do CENTRA-IST – Jordi Casanellas, Paolo Pani, Ilídio Lopes e Vítor Cardoso – mostram que a teoria de Banados-Ferreira prevê diferenças mensuráveis com a teoria de Einstein, e que os dados solares observacionais, heliosismologia e neutrinos solares permitem claramente distinguir entre os vários tipos de teorias de gravitação alternativas que são compatíveis com os dados solares actuais.

Maior telescópio do mundo poderá ter mão portuguesa

A indústria e institutos de investigação portugueses deverão participar na construção do maior telescópio do mundo, que funcionará no Chile a partir de 2018, segundo um responsável da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Este é um dos objectivos de um encontro que se realizará amanhã em Lisboa, promovido pela FCT, e que juntará elementos do Observatório Europeu do SUL (ESO) e responsáveis da indústria e de institutos de investigação e desenvolvimento portugueses.
O objectivo do encontro é “incentivar a indústria portuguesa a participar na construção e manutenção das infra-estruturas dos telescópios do ESO, tendo em vista nomeadamente projectos futuros como a construção do maior telescópio óptico/infravermelho do mundo” – o European Extremely Large Telescope (E-ELT) –, que será edificado no Chile e a sua conclusão está prevista para 2018.
O desafio que este encontro quer lançar às empresas portuguesas é para se candidatarem aos vários projectos de construção deste telescópio e serem, para tal, pagas através do orçamento do ESO.
Segundo Emir Sirage, da FCT e agente de ligação industrial com o ESO, estão previstas 50 participações portuguesas: 30 empresas e 20 unidades de investigação. Pretende “dar-se a conhecer ao ESO as empresas portuguesas e que estas têm capacidade para fornecer os serviços”, disse.
Não queremos que Portugal fique de fora desta corrida”, afirmou Emir Sirage, referindo-se ao E-ELT, o maior telescópio do mundo, com um espelho de 42 metros de diâmetro. Para Emir Sirage, são muitos os benefícios desta participação para as empresas portuguesas, já que terão “cadernos de encargos únicos”.

Em 2009 e 2010, a participação industrial portuguesa em infra-estruturas do ESO traduziu-se na adjudicação de contratos num valor superior a 2,5 milhões de euros. Anualmente, Portugal contribui com 1,5 milhões de euros para o ESO.

Satélites do GPS europeu foram lançados com sucesso na Guiana Francesa

Os dois satélites IOV, do sistema europeu de GPS, foram lançados com sucesso esta manhã em Kourou, na Guiana Francesa e já foram colocados em órbita.
O lançamento do foguetão russo Soiuz aconteceu hoje às 11h31 (hora de Lisboa), pela primeira vez na Guiana Francesa; os foguetões russos Soiuz são, normalmente, lançados do Norte da Rússia, em Plesetsk, e do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.
Os dois satélites - IOV1 e IOV2 (In-Orbit Validation, IOV), cada um com cerca de 700 quilos - fizeram uma viagem de cerca de 3h44m, quando foram finalmente colocados em órbita, a 23.222 quilómetros de altitude.
Cerca de dois minutos depois do lançamento, separaram-se os quatro propulsores do foguetão; oito minutos depois foi a vez da separação da parte superior, chamada "Fregat", onde se encontram os dois satélites. Este módulo accionou os seus próprios motores e levou os IOV até à órbita prevista.
“Este lançamento representa muito para a Europa: pusemos em órbita os dois satélites do Galileu, um sistema que vai colocar o nosso continentes como um jogador mundial no domínio estratégico das navegações de satélite, um domínio que tem enormes perspectivas económicas”, disse Jean-Jacques Dordain, director-geral da Agência Espacial Europeia.

Este lançamento é considerado um passo crucial para o sistema Galileu, projecto que pode significar o fim da dependência europeia do GPS, o equivalente norte-americano. De acordo com a ESA (agência espacial europeia), outros dois satélites deverão ser lançados para o próximo ano.

Os quatro satélites serão o núcleo operacional deste sistema de posicionamento geográfico que, quando estiver concluído, contará com um total de 30 satélites. Este projecto permitirá às "empresas e aos cidadãos o acesso directo a um sinal de navegação por satélite produzido pela Europa", salienta hoje a Comissão Europeia em comunicado. A partir de 2014, o Galileu poderá ajudar a "uma navegação automóvel mais precisa, uma gestão mais eficaz dos transportes rodoviários, melhores serviços de busca e salvamento, transacções bancárias mais seguras e um abastecimento mais fiável de energia eléctrica", acrescenta, a título de exemplo.
Segundo um comunicado da Arianespace, os foguetões Soiuz já realizaram 1770 missões em outras duas bases: no Cosmódromo de Baikonur (Cazaquistão) e no Cosmódromo de Plesetsk, na Rússia.

Nasa recria imagem de supernova documentada há 2 mil anos

Nasa recriou a imagem da primeira supernova documentada, que foi observada por astrónomos chineses há quase dois mil anos e que teve as suas fotos divulgadas na segunda-feira.

A Nasa combinou dados de quatro telescópios espaciais diferentes para criar a imagem da supernova, conhecida como RCW 86, a mais antiga que consta dos registos de astronomia.

Os astrónomos chineses foram testemunhas do evento que aconteceu no ano 185 d.C., quando descobriram uma estrela muito luminosa que permaneceu no céu durante oito meses.

As imagens de raios X do observatório XMM-Newton da Agência Espacial Europeia e do Observatório de Chandra, da Nasa, foram combinadas para formar as cores azul e verde na imagem, que mostram que o gás interestelar aqueceu a milhões de graus devido à onda expansiva da supernova.

Os dados infravermelhos do Telescópio Espacial Spitzer, da Nasa, e da sonda Wise (Wide-field Infrared Survey Explorer), que são vistos em amarelo e vermelho, revelam o pó que chega a várias centenas de graus abaixo de zero, cálido em comparação com o pó cósmico habitual na Via Láctea, indicou a agência espacial.
Mediante o estudo dos raios X e dos dados infravermelhos, os astrónomos foram capazes de determinar que a causa daquela misteriosa explosão no céu foi uma supernova de tipo Ia, que se produz depois da violenta explosão de uma estrela anã branca.


A supernova RCW 86 está a aproximadamente oito mil anos-luz de distância. Tem 85 anos-luz de diâmetro e ocupa uma região do céu na constelação austral de Circinus que, segundo indica a Nasa como referência, é ligeiramente maior que a lua cheia.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

asteróides em rota de colisão

http://aeiou.expresso.pt/981-asteroides-de-grande-dimensao-ameacam-a-terra=f677995

Afinal, os asteróides entre 100 e 1.000 metros de diâmetro que rondam o planeta não são 35.000, como era suposto, mas sim apenas cerca de 20.000. O risco de colisão também é mais pequeno do que era estimado até agora. O problema é que 981 (pensava-se que fossem 1000) são de grandes dimensões e podem, de facto, chegar a ameaçar a Terra.




As novas observações desses corpos celestes - que orbitam a uma distância máxima do sol de 195 milhões de quilómetros e se aproximam da órbita terrestre - foram feitas pelo satélite Wise, da NASA, que observou mais de 100.000 asteróides na cintura entre Marte e Júpiter, 585 dos quais estão próximos da Terra.
Os resultados do estudo dirigidos pelo cientista Amy Maizer, investigador da NASA, foram publicados no "Astrophysical Journal".

NASA localizou 90% dos 981 asteróides de grande dimensão

"Este programa permite-nos fazer uma mostra mais completa da quantidade de asteróides que rondam a Terra e estimar da forma mais precisa possível a sua população total", enfatizou Amy Mainzer.



A NASA, em colaboração com outros organismos, localizou mais de 90% dos 981 asteróides de grande tamanho. Ou seja, 911.



O estudo permite concluir que o risco de colisão com a Terra é inferior ao que se pensava. No entanto, a maior parte desses asteróides, ou seja, cerca de 15.000, está ainda por descobrir. O que significa que são necessários mais estudos para avaliar o risco que representam.



Recorde-se que os dinossauros foram extintos há milhões de ano devido - a teoria mais corrente - à colisão de um asteróide de mais de 10 quilómetros de diâmetro com a Terra. Acredita-se que muitos dos 981 asteróides que rondam o planeta terão dimensão semelhante.

sábado, 10 de setembro de 2011

Satélite que vai cair na Terra preocupa NASA (vídeo)

Entre final de setembro e outubro um satélite à deriva deverá cair na Terra. Para já, a NASA não sabe que região poderá ser atingida pelos mais de 500 quilos de metal.
16:00 Sexta feira, 9 de setembro de 2011


A agência espacial norte-america, NASA, reconheceu estar "preocupada" com a queda prevista para final de setembro e outubro, de um satélite com mais de 20 anos.
Os restos mortais do Upper Atmosphere Research Satellite (UARS) podem cair em qualquer lugar mas, segundo os cientistas, a possibilidade de atingirem alguém é de um para 3.200. Com efeito, parte do equipamento de 5.9 toneladas deverá desintegra-se ao entrar na atmosfera terrestre, onde não deverá chegar, pelas contas da NASA, cerca de 544 quilos de metal.
Bem menos do que estação espacial russa Mir de 123 toneladas, que caiu na Terra em 2001 ou do Skylab (91 toneladas), atingindo a superfície terrestre em 1979. Em ambos os casos ninguém foi atingido.

Um para 10.000

"Desde o fim da corrida do espaço que reentram regularmente na atmosfera objetos, sem que ninguém tenha sido atingido até à data", lembrou Gene Stansbery, da NASA. "Isso não significa que não estejamos preocupados", acrescentou.
Atualmente, a NASA tem uma regra, segundo a qual, a possibilidade de um satélite atingir alguém não poderá ser maior do que um para 10.000. Só que o UARS foi lançado em 1991, bem antes dessa regra ter sido adotada.
Este satélite, sem combustível desde 2005, foi lançado com o intuito de estudar as alterações climáticas, medindo a concentração de determinadas substâncias químicas na atmosfera.
"É muito cedo para dizer com rigor quando é que o UARS deverá rentrar na atmosfera, e em que região deverá cair, mas a NASA segue a situação de muito perto", rematou Gene Stansbery.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A sonda que tinha partido há quase 7 anos já está em órbita

A sonda americana Messenger tornou-se esta madrugada o primeiro engenho espacial a instalar-se na órbita de Mercúrio, o planeta mais próximo do sol, anunciou a NASA.



A sonda começou a sua rotação em torno de Mercúrio às 02h00 e irá continuar em redor do planeta mais quente do sistema solar durante um ano, indicou a agência espacial norte-americana.

O engenho espacial começou a sua viagem há quase sete anos, tendo já passado em diversas ocasiões nas proximidades de Vénus e de Mercúrio, sem nunca se ter instalado nas suas órbitas.

Os instrumentos a bordo do Messenger serão activados e verificados no dia 23 de Março e no dia 4 de Abril irá começar a fase científica da missão.

O aparelho transporta diversos instrumentos científicos, nomeadamente um sistema de recolha de imagens, um espectrómetro de análise da atmosfera e do sol e um espectrómetro de observação do plasma e das partículas energéticas.

A sonda completará a rotação de Mercúrio em 12 horas a uma altitude mínima de 200 quilómetros, precisou a NASA. Tudo isto acontecerá a 46 milhões de quilómetros do sol e a 155 milhões de quilómetros.

A sonda já percorreu cerca de oito mil milhões de quilómetros no espaço desde o seu lançamento, em Agosto de 2004.

terça-feira, 8 de março de 2011

Comunidade científica desvaloriza estudo sobre vida extraterrestre em meteorito


O estudo recentemente editado em que o investigador da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) Richard Hoover afirma ter encontrado provas da existência de vida fora da Terra, em fósseis de bactérias encontrados num fragmento de meteorito, está a ser desvalorizado pela maior parte da comunidade científica.

Publicado no «Journal of Cosmology», o artigo foi hoje amplamente divulgado e levantou tantas desconfianças que a própria NASA, a meio da tarde, emitiu uma nota (no spaceref.com) onde dizia “não poder apoiar uma afirmação científica a não ser que esta tenha sido completamente revista por especialistas qualificados”, o que não foi o caso. O artigo em questão, acrescenta, “foi submetido em 2007 para publicação no «International Journal of Astrobiology». No entanto, o processo de revisão não foi concluído e a publicação não foi possível”.

Mesmo antes da emissão desta nota, o blogue português astropt.org editou um post em que se explica que o «Journal of Cosmology» “já foi duramente criticado por conter artigos de índole duvidosa do ponto de vista científico, estando já anunciado o fim desta publicação online”. O artigo em questão, continua, “foi também criticado por especialistas que afirmam não existir fundamento para o que é afirmado”.

Os autores remetem para o blogue «RRRESEARCH», de Rosie Redfield, investigadora do Life Sciences Centre (University of British Columbia) que faz “uma crítica técnica ao artigo”.

Nesse mesmo blogue encontra-se uma nota de Lynn Rothschild, uma astrobióloga da NASA. A investigadora esclarece: “Richard Hoover é engenheiro no Marshall Space Flight Center e não biólogo de formação. Na verdade, existem biólogos profissionais naquele centro, mas não acredito que estejam de alguma forma envolvidos neste trabalho”.

Acrescenta ainda que todos os artigos de Hoover neste âmbito estão em publicações onde não existe a revisão por pares (peer review) e que todos os prémios que já obteve foram na área da engenharia.

Em conversa com o «Ciência Hoje», Zita Martins, especialista portuguesa em astrobiologia e investigadora no Imperial College London, diz que os dados apresentados no estudo não parecem “muito credíveis”. A investigação “não foi feita da melhor forma” e o “artigo não foi submetido a avaliação antes de ser publicado”. Para a cientista, estas são razões suficientes para, de um maneira geral, os cientistas não estarem a valorizar esta investigação.

Richard  Hoover estudou durante uma década um tipo extremamente raro de meteoritos carbonáceos denominados CI1, que se encontraram em locais como a Antárctida, Sibéria e Alasca. O investigador analisou o interior do meteorito através de microscopia electrónica.

Conseguiu registar microfósseis semelhantes às cianobactérias que existem na Terra e outros que não conseguiu identificar com algo conhecido. Hoover acredita que estes microfósseis têm origem extraterrestre e não são provenientes de contaminação terrestre.

Já a prever a controvérsia que o artigo poderia gerar, a direcção do «Journal of Cosmology» convidou mais de cinco mil personalidades da comunidade científica a estudarem e comentarem o mesmo.

Artigo: Fossils of Cyanobacteria in CI1 Carbonaceous Meteorites

segunda-feira, 7 de março de 2011

Discovery despede-se de vez do Espaço e regressa à Terra

O vaivém espacial norte-americano Discovery está de regresso à Terra, depois de uma missão de oito dias na Estação Espacial Internacional (EEI), a última que o histórico aparelho da NASA efetuou no Espaço em 27 anos.
Segundo as agências internacionais, o Discovery retirou-se hoje das plataformas da EEI, a 355 quilómetros de distância, e está prevista a chegada à Terra na quarta-feira com seis tripulantes a bordo.
Este é o mais velho dos três vaivéns que a NASA colocou no Espaço nos últimos anos, juntado-se ao Endeavour e ao Atlantis, tendo somado mais de 230 milhões de quilómetros nas 39 missões ao Espaço e o seu destino final será agora um museu.
Numa mensagem deixada através da rede social Twitter, o comandante da Estação Espacial Internacional, Scott Kelly, assinalou a partida do Discovery sublinhando que foi um vaivém "grandioso, que apoiou a EEI mais do que qualquer outro aparelho".
Na última viagem do Discovery à EEI, os astronautas puderam levar toneladas de material e incluir um novo módulo permanente para armazenamento.
A chegada do Discovery ao Centro Espacial Kennedy, no sul da Flórida, está marcada para quarta-feira, às 16:58 (hora de Lisboa).

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Fotos da NASA permitem ver todas as faces do Sol a partir de hoje

A partir de hoje, os astrónomos poderão saber o que se passa em tempo real em toda a superfície do Sol. Duas sondas da NASA estão em lados opostos da estrela e tiram fotografias que dão um panorama total do astro.


06.02.2011 - 18:39 Por Nicolau Ferreira


O Sol que se vê a partir da Terra parece um astro sossegado, mas é uma massa esférica de plasma com actividade magnética intensa. Até agora não existia uma imagem total da todo o Sol, mas a partir de hoje as duas sondas do projecto Stereo (Solar Terrestrial Relations Observatory) chegaram finalmente à sua posição final. Estão em locais opostos, a um ângulo de 180 graus, o que permite tirar fotografias complementares, em tempo real, dos dois hemisférios do astro.

“Isto é um grande momento para a física solar”, disse, em comunicado, Angelo Vourlidas, um membro da equipa. “O Stereo revelou o que o Sol realmente é – uma esfera de plasma quente com um tecido intricado de campos magnéticos.”
As duas sondas Stereo (A e B) foram lançadas em Outubro de 2006. As suas viagens foram feitas em sentidos diferentes e ao longo do tempo as sondas foram tirando fotografias do Sol. As fotografias de 2 de Fevereiro (na imagem) obtiveram uma representação quase total do Sol, deixando apenas uma pequenina faixa de fora. Segundo a NASA, a partir de hoje as fotografias dão uma representação total.



“Com esta informação, podemos girar em torno do Sol para ver o que se passa no horizonte sem nunca sairmos das nossas secretárias”, disse em comunicado Lika Guhathakurta, outra cientista que pertence ao programa Stereo. “Espero um grande avanço na física solar teórica e nas previsões do tempo do espaço”, disse a cientista, referindo-se à massa de partículas provenientes do Sol que alcançam a Terra. Se forem muito fortes, podem provocar fenómenos como auroras boreais ou um colapso dos sistemas de transmissão.


As sondas tiram fotografias em quatro comprimentos de onda diferentes, no extremo da radiação ultra-violeta. Desta forma, conseguem identificar acontecimentos importantes da superfície solar, como erupções, tempestades solares ou filamentos magnéticos. Uma terceira sonda pertencente ao programa Stereo, que orbita à volta da Terra, também está constantemente a fotografar o Sol, completando a informação vinda das Stereo A e B.

A partir de agora, os cientistas podem antecipar melhor os fenómenos que surgem na superfície do Sol e que influenciam a Terra. “Actividades que se passam na região mais distante não nos apanharão mais desprevenidos”, explicou em comunicado Bill Murtagh, um cientista do Centro de Previsões do Tempo Espacial, no Colorado, que pertence à NOAA (sigla em inglês para a Administração Nacional para os Oceanos e Atmosfera).

“Com este modelo podemos também seguir as tempestades solares que vão em direcção aos outros planetas. Isto é importante para missões da NASA em Mercúrio, Marte ou asteróides”, acrescentou.

Por outro lado, com os dados obtidos a partir das fotografias vai ser possível relacionar fenómenos que acontecem em pontos distante no Sol. Os cientistas há muito que suspeitam que a actividade solar pode estar interligada globalmente, com erupções solares distantes a influenciarem-se umas às outras.

“Há muitos puzzles fundamentais por trás da actividade solar”, disse Vourlidas. “Ao monitorizarmos todo o Sol, podemos encontrar peças que nos faltam.”

O projecto Stereo vai continuar durante os próximos oito anos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Space Oddity

In this image taken by the Hubble Space Telescope, an unusual, ghostly green blob of gas appears to float near a neighboring spiral galaxy.
The bizarre object, dubbed Hanny's Voorwerp (Hanny's Object in Dutch), is the only visible part of a 300,000-light-year-long streamer of gas stretching around the galaxy, called IC 2947. The greenish Voorwerp is visible because a beam of light from the galaxy's core illuminated it. This beam came from a quasar--a bright, energetic object powered by a black hole. The quasar may have turned off about 200,000 years ago.
This Hubble view uncovers a pocket of star clusters, the yellowish-orange area at the tip of Hanny's Voorwerp. The star clusters are confined to an area that is a few thousand light- years wide. The youngest stars are a couple of million years old. The Voorwerp is the size of our Milky Way galaxy, and its bright green color is from glowing oxygen.

In this image taken by the Hubble Space Telescope, an unusual, ghostly green blob of gas appears to float near a neighboring spiral galaxy.

The bizarre object, dubbed Hanny's Voorwerp (Hanny's Object in Dutch), is the only visible part of a 300,000-light-year-long streamer of gas stretching around the galaxy, called IC 2947. The greenish Voorwerp is visible because a beam of light from the galaxy's core illuminated it. This beam came from a quasar--a bright, energetic object powered by a black hole. The quasar may have turned off about 200,000 years ago.
This Hubble view uncovers a pocket of star clusters, the yellowish-orange area at the tip of Hanny's Voorwerp. The star clusters are confined to an area that is a few thousand light- years wide. The youngest stars are a couple of million years old. The Voorwerp is the size of our Milky Way galaxy, and its bright green color is from glowing oxygen.
An interaction between IC 2947 and another galaxy about a billion years ago may have created Hanny's Voorwerp and fueled the quasar. The Hubble image shows that IC 2947 has been disturbed, with complex dust patches, warped spiral arms, and regions of star formation around its core. These features suggest the aftermath of a galaxy merger. The bright spots in the central part of the galaxy are star-forming regions. The small, pinkish object to the lower right of IC 2397 is an edge-on spiral galaxy in the background.

The image was made by combining data from the Advanced Camera for Surveys and the Wide Field Camera 3. The ACS exposures were taken April 12, 2010; the WFC3 data, April 4, 2010.
Image Credit: NASA, ESA, W. Keel (University of Alabama) and the Galaxy Zoo Team

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Novo cálculo sugere que Via Láctea é pequena


Um novo estudo feito por astrónomos brasileiros sugere que a Via Láctea, galáxia na qual está inserido o Sistema Solar, pode ser menor do que se imaginava.
«Determinar as suas propriedades é complicado porque não podemos vê-la de cima. Estamos no lado de dentro», disse Alessandro Moisés, da Universidade Federal do Vale do São Francisco em São Raimundo Nonato (Piauí).
O investigador foi o primeiro autor do estudo feito em colaboração com cientistas da USP, da Univap e de duas instituições americanas. O trabalho foi publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A forma tradicional de mapear a galáxia é estudar regiões com a presença de muito gás e formação intensa de estrelas de alta massa.
A análise dos sinais de rádio emitidos por essas regiões permite inferir a velocidade com que nuvens e estrelas transitam na sua órbita em redor do centro galáctico.
«É como se fosse um velho disco de vinil a girar numa grafonola», diz Moisés. «As partes mais externas precisam de avançar a uma velocidade maior que as internas, pois a distância que percorrem em redor do centro é maior.»
Por isso, com base na velocidade (ditada pela massa da galáxia, de acordo com as leis da gravidade), os radioastrónomos estimam a que distância do centro está a uma dada região.

Mas a técnica exige uma série de pressuposições (sobre parâmetros como a matéria total presente na galáxia) e está sujeita a erros. Esta estimava o tamanho da galáxia em algo próximo de 100 mil anos-luz, com alguma margem de tolerância.
Moisés e os seus colegas utilizaram, então, uma técnica alternativa. Em vez de usar a velocidade medida por rádio, procuraram identificar estrelas individuais pertencentes a essas regiões e estimar a sua distância com base no brilho.
Praticamente todas as medições, feitas com os telescópios Soar e Blanco, ambos no Chile, apontaram distâncias menores do que as estimadas por rádio. Em média, a metade do que antes se pensava - uma diferença gritante.
Informalmente, os cientistas apelidaram o fenómeno de «the incredible shrinking galaxy».

Descoberto primeiro planeta rochoso fora do sistema solar - NASA

Washington, 11 jan (Lusa) - A NASA, agência espacial norte-americana, anunciou na segunda-feira a descoberta do primeiro planeta rochoso fora do sistema solar, do tamanho quase da Terra, graças à ajuda da sonda espacial Kepler.
Em órbita à volta de uma estrela a uma distância que não lhe permite ser habitado, este exoplaneta, batizado de Kepler-10b, é o primeiro que é rochoso em cerca de 500 descobertas fora do sistema solar desde 1995, sendo os anteriores essencialmente gasosos.
O Kepler-10b é também o planeta cujo tamanho mais se aproxima do da Terra, com um diâmetro 1,4 vezes maior, precisaram os astrónomos da missão Kepler.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

NASA produz vídeo que mostra actual contaminação atmosférica


Os intensos incêndios que recentemente destruíram milhares de hectares de florestas na Rússia e no Canadá contaminaram a atmosfera. Essa contaminação afecta pessoas, animais, plantas e a atmosfera em geral. A Agência Espacial Norte-americana NASA recompilou, por isso, imagens a partir das quais se consegue perceber o alcance mundial destas contaminações.

Um dos elementos contaminantes mais perigosos é o monóxido de carbono que, ao ficar na atmosfera como consequência dos incêndios provoca numerosos problemas respiratórios.

Nas imagens da NASA, este gás altamente tóxico é mostrado nas suas concentrações mais altas com as cores amarelas e vermelhas. O gás foi medido com uma sonda atmosférica de infravermelhos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

NASA anuncia descoberta sobre vida extra-terrestre

A agência espacial norte-americana, a NASA, lançou a polémica no mundo científico e, em particular na Internet, ao anunciar para hoje, quinta-feira, uma conferência de Imprensa sobre uma descoberta ligada à vida extra-terrestre.
"A NASA dará uma conferência de imprensa às 14 horas (19 horas em Portugal continental) de quinta-feira dia 2 de Dezembro para discutir uma descoberta na área da astrobiologia que terá consequências na procura de provas de vida extra-terrestre", afirma a agência no seu site na Internet. A conferência terá lugar em Washington.

Os amantes do espaço e dos extra-terrestres inundaram a blogosfera de especulações sobre o conteúdo do anúncio mas a NASA recusou adiantar quaisquer detalhes antes do anunciado.

Entre as pessoas que vão intervir no encontro de hoje na capital norte-americana está Mary Voytek, que dirige o programa de astrobiologia da NASA, Felisa Wolfe-Simon, investigadora de astrobiologia no Instituto Geológico dos EUA, e também Pamela Conrad, astrobióloga no centro espacial Goddard da NASA.
A astrobiologia é a disciplina que estuda a vida no universo, incluindo a sua origem e evolução, a localização e as hipóteses de que esta se perpetue.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

NASA pode ter descoberto vida extraterrestre

A NASA anunciou que na próxima quinta-feira, dia 2, organiza uma conferência de imprensa sobre "Astrobiologia", para discutir "uma descoberta que terá um enorme impacto na procura de vida extraterrestre".

A NASA publicou ontem no seu site a informação de uma conferência de imprensa sobre "Astrobiologia".
"Astrobiologia é o estudo da origem, evolução, distribuição e vida futura no universo" lê-se na informação sobre a conferência que irá decorrer na próxima quinta-feira, dia 2 de dezembro , que também adianta os participantes.
O currículo desses participantes levanta agora a questão: qual a "descoberta astrobiológica" que motivou a NASA a convocar uma conferência de imprensa?
Quem irá discursar na conferência

Para além de Mary Voytek, diretora do Programa Astrobiológico da NASA, estará presente Felisa Wolf-Simon, uma oceanógrafa que já escreveu uma longa lista de artigos sobre fotossíntese baseada em arsénio e a sua implicação na evolução de espécies.
Também irá discursar Pamela Conrad, uma geobiologista que em 2009 publicou um ensaio sobre a geologia e a hipótese de vida em Marte.
James Elser será outro dos cientistas participantes. Elser é um ecologista que integra o programa de astrobiologia "Follow the Elements", que investiga os elementos químicos em ambientes onde haja a possibilidade de evolução de seres vivos.
O último participante que consta da informação da NASA é Steven Benner, um biologista que faz parte da "Equipa Titan", o grupo da NASA responsável por explorar a maior das 62 luas de Saturno, a Titan. Benner também está envolvido na missão da sonda Cassini, que recentemente entrou na densa atmosfera da lua Rhea e recolheu amostras de oxigénio e dióxido de carbono.

Rhea contém elementos químicos necessários à vida

Estes últimos dados que mostraram a existência de oxigénio e dióxido de carbono foram divulgados na última sexta-feira. A sonda Cassini encontrou pela primeira vez vestígios destes dois elementos químicos diretamente na atmosfera noutro mundo, neste caso na segunda maior lua de Saturno, o astro Rhea.

Dada a proximidade com o anúncio da próxima conferência, presume-se que o assunto da conferência esteja relacionado com a descoberta da última sexta-feira, ou seja, a densa atmosfera de uma das luas de Saturno contém os elementos químicos necessários para a formação de vida extraterrestre.
Mas são apenas suposições, já que existe um embargo sobre mais informação sobre a conferência até... quinta-feira.
São conhecidos os vários cortes nos fundos das missões da NASA e talvez o evento de quinta-feira sirva para reforçar os factos divulgados na passada sexta-feira e seja uma forma de reunir verbas para continuar com o projeto Titan. Quem quiser poderá acompanhar a conferência em direto através do site da NASA .

A NASA é reconhecida por vários fracassos nos últimos anos e a última grande conferência de imprensa que a agência espacial acolheu foi para "apenas" anunciar a presença de um buraco negro perto da nossa galáxia.

Há oxigénio em Reia, uma das luas de Saturno

A atmosfera - ou exosfera, como se chama por ser noutro planeta que não a Terra -, contém também dióxido de carbono. É muito ténue: à superfície o oxigénio é cinco biliões (milhões de milhões) de vezes menos denso do que no nosso planeta, diz um comunicado da NASA.
Mas desengane-se quem está já a sonhar com extraterrestres, pelo menos com plantas extraterrestres, que façam fotossíntese, respirando dióxido de carbono e libertando oxigénio. Estes gases devem ser libertados devido à acção de partículas de altas energias da magnetosfera de Saturno que bombardeiam a superfície gelada desta lua, onde há gelo de água, adianta o artigo publicado esta semana na revista “Science”, onde é descrita a descoberta.
Se há oxigénio, faltará outro componente essencial: água no estado líquido: “Todos os dados da Cassini indicam que Reia é demasiado fria e desprovida de água líquida, necessária para que exista vida tal como a conhecemos”, diz Ben Teolis, do Southwest Research Institute, o primeiro autor do trabalho, citado pela agência espacial norte-americana.
O que isto quer dizer é que podem ser relativamente comuns reacções químicas com oxigénio – um gás que não é assim tão banal – no nosso sistema solar, e se calhar no Universo. Mesmo que não haja vida – embora seja um sinal auspicioso para que se venha a desenvolver, num planeta ou lua que tenha condições para ter água em estado líquido, à superfície ou até mesmo no seu interior. “Esta química pode ser um pré-requisito para o surgimento da vida”, disse ainda Teolis, citado no comunicado da NASA.

Há oxigénio na atmosfera de Reia, uma das luas de Saturno, detectou a sonda Cassini da NASA, que está a estudar o sistema de Saturno. É a primeira vez que este gás, chave da vida na Terra, é detectado directamente na atmosfera de outro planeta.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ESA assegura a sua presença nos confins do Universo

A Agência Espacial Europeia (ESA) decidiu prolongar a vida útil de onze das suas missões científicas – o que permitirá que a nível mundial, se continuem a enviar novos resultados, até, pelo menos, 2014.

O Comité para o Programa Científico (SPC – Science Programme Committee) tomou a decisão no encontro de 18-19 de Novembro, em Paris. Todas as missões estão ainda operacionais, além do seu período de vida estimado, ainda enviam dados científicos excepcionais, e com o seu orçamento a chegar ao fim.

“A longevidade destas missões é uma prova do cuidado com que a indústria construiu estes satélites, do rigor das equipas que os operam e da capacidade dos cientistas continuarem a pensar em novos e valiosos problemas científicos que podem ser testados durante estas missões”, diz Martin Kessler, responsável da ESA pelo Departamento de Operações Científicas.

Há dois anos foi introduzida uma nova abordagem no plano financeiro e, a cada dois anos, é feita uma avaliação de todas as missões que estão prestes a esgotar o orçamento, com a perspectiva de prolongamento das mesmas. As que estiveram a ser avaliadas neste último encontro foram o Cluster, o Integral, o Planck, a Mars Express, a Venus Express e o XMM-Newton – todas da responsabilidade da ESA.

Também foram analisadas as contribuições da ESA em missões de colaboração internacional, como a Hinode (com o Japão), a Cassini-Huygens, o Telescópio Espacial Hubble e a Soho (todas com a NASA) e ainda as operações científicas da demonstração de tecnologia da ESA Proba-2.

Na semana passada, o SPC sobre as extensões previamente acordadas até 2012, aprovou novos prolongamentos até 2014, sujeitos a confirmação, cumprindo o ciclo de avaliação a cada dois anos. As missões da SOHO, Hinode e Proba-2 permitem que o Sol seja examinado de perto durante o próximo pico de actividade magnética, esperado para 2013. Entretanto, os quatro satélites Cluster irão medir o efeito desta actividade mais perto de casa, no campo magnético terrestre.

No último ano, a ESA lançou o observatório Herschel que trabalha nos infra-vermelhos e nas bandas sub-milimétricas. Prolongou os observatórios de altas energias, Integral e XMM-Newton, o que quer dizer que os astrónomos europeus têm agora acesso a uma vasta gama de observações, o que fornecerá uma visão única do Universo violento. Isto vai complementar os dados obtidos no ultra-violeta, no visível e próximo do infra-vermelho, que chegam do Telescópio Espacial Hubble.

Dentro do Sistema Solar, a Mars Express e a Venus Express estão a investigar os planetas vizinhos da Terra, enquanto a Cassini-Huygens continua a seu estudo detalhado de Saturno e das suas luas. O satélite Planck está a mapear a radiação cósmica de fundo, resquícios do Big Bang. A decisão de prolongar por um ano esta missão possibilita a utilização do sensor de baixa frequência de uma nova maneira e permitirá extrair o máximo de informação possível dos sinais que constituem a impressão digital do Big Bang.

“Não é uma época fácil para assumir este género de compromissos, mas não devemos duvidar da capacidade do SPC em obter ainda mais retorno dos grandes investimentos do passado”, diz David Southwood, director da ESA da Exploração Científica e Robótica. “A Ciência de grande qualidade irá continuar a surgir a partir deste conjunto de naves. É um bom dia para a ciência espacial”.

Cientistas investigam a causa da morte do astrónomo renascentista Tycho Brahe

Os ossos foram retirados da urna que se encontra na igreja de Týn, em Praga

2010-11-16



Tycho Brahe (1546-1601) foi astrónomo, alquimista e farmacêutico. O mistério da morte do astrónomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) pode ser resolvido nos próximos tempos. Isto porque uma equipa internacional de cientistas vai analisar os restos mortais que se encontram na igreja de Týn, em Praga. O cientista, que esteve ao serviço de Frederico II da Dinamarca e mais tarde do imperador Rodolfo II de Habsburgo, foi astrónomo e alquimista. Os seus estudos sobre os movimentos de Marte foram utilizados pelo alemão Kepler para elaborar as suas primeiras leis sobre as órbitas dos planetas.

Uma das teorias sobre a sua morte defende o envenenamento por mercúrio. Brahe trabalhava também como farmacêutico e naquela época aquele químico fazia parte de medicamentos “receitados para o tratamento de várias doenças”, explica Niels Lynnerup, da Universidade de Copenhaga, que faz parte da equipa de investigação. Como alquimista, estava constantemente em contacto com este químico.

As análises revelarão se foi, efectivamente, o mercúrio a matá-lo. O que não se poderá saber é se foi envenenado por alguém, se se envenenou acidentalmente ou se consumiu o químico para se tratar de alguma doença.

No livro «Intriga Cósmica» (de 2005), Joshua Gilder e Anne-Lee Gilder levantam a hipótese do astrónomo ter sido envenenado por Kepler. Segundo eles, este queria apoderar-se dos seus estudos. Especulações à parte, Kepler foi assistente de Brahe e parte da sua investigação baseou-se em estudos anteriores deste.
Tycho morreu a 24 de Outubro de 1601, onze dias depois de ter ficado doente durante um banquete. Durante centenas de anos, acreditou-se que morreu de uma infecção da bexiga. Na hora da morte terá dito a Kepler: “não deixes que pareça que a minha vida foi em vão”.

A equipa, composta por investigadores dinamarqueses, checos e suecos, vai fazer amanhã uma tomografia axial computadorizada (TAC). Visto que os ossos estão informatizados, podem ser estudados a três dimensões, mesmo depois de voltarem à urna de onde foram removidos.

O mais importante neste estudo são as análises químicas e atómicas que vão demorar vários meses a ser realizadas. Os testes irão ajudar a detectar se houve níveis anormais de mercúrio nas últimas horas de vida do cientista.

De referir que a urna de Tycho Brahe foi aberta pela primeira vez em 1901, na ocasião para se perceber que tipo de prótese utilizava no nariz (pois ficou sem parte dele durante um duelo). Chegou-se à conclusão que era de cobre.